A primeira vez a gente nunca esquece!

Aqui em Boipeba, as coisas ao seu redor te fazem voltar a ser uma criança obrigatoriamente. Você se admira com tudo ao seu redor. É um universo paralelo à nossa realidade cotidiana de vida na cidade. Parece que o tempo aqui parou em uma época onde os meios de transporte de carga ainda são as charretes. As pessoas se cumprimentam todos os dias, mesmo sem se conhecerem, mas é como se todos fossem da mesma família. É uma vila familiar, aconchegante, acolhedora. Ainda existem aquelas senhoras que ficam na janela vendo o dia passar.

O meio de transporte mais moderno da vila são os quadritáxis (quadriciclo que levam os turistas preguiçosos), mas também tem os tratores em forma de ônibus. Esses levam no mínimo 20 pessoas a R$ 10 por cabeça. Por sorte, acabei pegando um trator que me deu carona na volta da Praia de Bainema, pois mais adiante havia um trecho empoçado onde seria difícil a passagem a pé. Os baianos daqui são assim, anjos protetores. Eles não ligam se você não tem dinheiro, eles vão te ajudar. Aliás, o que menos importa aqui é o dinheiro.

O lugar mais incrível que visitei foi a Praia de Castelhanos. Fica depois de Bainema. Para chegar até lá, é preciso passar por Cueira, Moreré e Bainema, que são praias lindíssimas com inúmeros coqueiros, porém a travessia deve que ser na maré baixa, pois de Cueira a Moreré, necessariamente passamos por um rio. Em Moreré, a maré baixa forma piscinas naturais incríveis e é possível nadar próximo aos corais e ver muitos peixes. Mas o mais incrível começa depois de Bainema, a travessia pelo mangue seco. No primeiro trecho, um mar gigante de pequeninos filhotes de guaiamum te recepciona e a cada passo que você dá eles se afastam de seus pés. Não é preciso ter medo, pois você nunca irá pisá-los.

Depois disso o mangue começa a fechar e a trilha pela lama úmida e escura deixa o caminhar mais difícil e admirável, com as raízes imponentes das árvores no meu entorno. Na saída do mangue peguei um barco que percorre um curto trecho até o paraíso de Castelhanos.

Foi tudo que fiz pela primeira vez:

  • Tocar na Bahia (Velha Boipeba por 7 noites seguidas, contando a participação com músicos baianos)
  • Andar pelo mangue
  • Comer pastel de lagosta com queijo e banana, pastel de polvo e pastel de siri
  • Tomar suco de mangaba e suco de siriguela (o segundo é mais gostoso)
  • Pegar carona num trator
  • Voltar de canoa pelo mangue
  • Pisar uma praia naturalista (Castelhanos)
  • Fazer amizade com pessoas de outros países em pouco menos de 5 dias (Fraça, Argentina, Equador, Califórnia)
  • Ver 3 estrelas cadentes na mesma noite na praia
  • Ver a via láctea sem precisar estar em um planetário
  • Beijado uma soteropolitana que talvez eu não a veja mais (quem sabe vire música)

E assim me senti uma criança que se admira e se impressiona com tudo. Foi como se eu estivesse descobrindo o mundo agora, eu estivesse acabado de nascer. Acho que é isso. Acho que estou renascendo. Vendo o mundo com outros olhos, me inspirando a cada dia para poder dar o melhor de mim, quando eu retornar a Sampa.

Talvez falte isso na gente, admirar-se com coisas simples, tomar coragem de viver novas experiências. Seguir o fluxo. Viver no fluxo, no dia a dia, deixar a vida seguir seu curso. Qualidades que vi em muitos mochileiros aqui. Eles realmente vivem, e ando me espelhando neles. Faz bem pra mim, me dá inspiração para música, me causa amor.

“Se for pra causar, cause amor.”

Gil Sant’Anna

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Freeganismo de amor

Parei aqui no restaurante da Pousada Ponto Chic que fica na trilha que sai do canto esquerdo da praia de Tassimirim na Ilha de Boipeba. A mesa é de frente pro mar. A porção de mandioca estava na promoção por 10 reais. Resolvi comer.

A prática de Yoga as 8:30 h foi a primeira experiência, e com uma professora californiana que não falava português. Aproveitei para arranhar meu poor english e pude trocar algumas palavras com essa loirinha encantadora dos olhos azuis. Nunca havia praticado Yoga antes. Suei pra caramba. Foi uma experiência corporal incrível.

Aqui em Tassimirim resolvi escrever pelo próprio celular. Relembrando as praias e vivências que passei nesses primeiros dias em Boipeba, vi que aprendi bastante. Uma palavra nova me chamou a atenção: freeganismo.

Geraldo, um dos voluntários do Hostel que me ensinou. Numa das noites após o meu show, saímos pra comer algo na Vila de Boipeba, e sentamos ao lado de uma mesa que tinha acabado de ficar vazia. Geraldo pegou o resto de coca que haviam deixado na mesa e disse: freeganismo.

Essa palavra ficou na minha cabeça. Trata-se de um conceito de reaproveitamento. Algo que vai contra o capitalismo. Nós humanos desperdiçamos muita coisa.

Aí vem minha reflexão. Será que existe freeganismo sentimental? Você já amou alguém pra não desperdiçar amor?

Que brisa né? Acho melhor parar por aqui. Observando esse mar a minha frente, vejo que Deus não desperdiçou nada pra nos dar. Mas a gente quer tanto mais do que podemos obter que acabamos desperdiçando o “resto” que sobra. Aí rolam as dores, e amores perdidos.

Estou aqui empanturrado de mandioca e sobrou bastante. Vou ter que levar na mochila pra comer depois. Freeganismo em mim mesmo. Talvez meus companheiros de Hostel sintam fome mais tarde.

E assim sigo a vida, vivendo e aprendendo, rindo, felizão, deixando alguns resquícios de amor por aí, reaproveitando amores perdidos e fazendo música disso. Se você passou por mim um dia, talvez tenha praticado freeganismo e pêgo um resto de amor que sobrou de outros amores.

Não é ruim isso. É amor cheio de histórias. Mas se você jogou fora por causa de suas histórias, aí você desperdiçou. E o desperdício sempre foi uma perda pro ecossistema do coração.

“Se for pra causar, cause amor”

Gil Sant’Anna

Turnê Bahia

Estou há um passo de pegar o avião rumo a um dos lugares mais famosos do Brasil, a nossa querida Bahia. É a segunda vez que irei para lá, porém dessa vez com um objetivo maior, tocar. A primeira experiência foi em Caraíva, uma viagem que foi um misto de descanso e aventura há uns 5 anos atrás aproximadamente.

Esse ano eu queria algo diferente. Precisava fazer algo que nunca fiz, experimentar novos caminhos, novos rumos, novas vivências. Será minha primeira vez fazendo volunturismo. Uma troca, um escambo. Era assim há muitos anos atrás não é mesmo? Você me dá uma habilidade sua em troca de outra minha e assim vivemos os dois completos um com o outro. Conceito de abundância, doar e receber.

A Bahia, mais especificamente Velha Boipeba, está me dando a oportunidade de exercer isso. Minha habilidade de tocar e cantar vai virar hospedagem no Abaquar Hostel, e tudo isso se chamará por mim Turnê Bahia. Acho que será uma experiência bem interessante. Farei as noites de Carnaval nesse lugar paradisíaco e será minha primeira vez estando lá. Não tem 30% de agenciamento de ninguém. Não tem produtora de show fazendo produção executiva para mim. Não tocarei num trio elétrico, nem tampouco em um festival de reggae baiano. Não tem empresário investindo em nada. Simplesmente entrei no aplicativo Worldpackers, escolhi o local e meti o louco! Comprei as passagens do bolso comendo pão com manteiga na janta e tocando em alguns bares de Sampa.

Meu violão me ajuda. Vocês me ajudam, meus seguidores fiéis. Todos, aqueles que realmente clicam pra curtir os posts, principalmente aqueles que tiram seus 30 segundos para comentar algo e interagirem comigo. Então eu sou grato por vocês.

E se tiver alguém pensando que eu estou bem na fita porque vou fazer uma “turnê” na Bahia, digo que sim. Pois tudo está no seu lugar. Eu tenho tudo que preciso para a minha evolução, mesmo que eu não tenha o que eu gostaria de ter, mas tenho o que eu preciso ter: força de vontade, um violão e vocês.

Tudo isso causa amor em mim, que causará amor em você, que causará amor em outro alguém. E quem não foi causado com isso é porque já tem muito e não precisa, ou porque ainda não sabe o valor que isso tem.

Estarei na Bahia nesses próximos 15 dias, mas vocês irão comigo!

Se for pra causar, cause amor.

Gil Sant’Anna

Mal Pensar

O facebook nos pergunta diariamente: “No que você está pensando?”. Aí postamos coisas muitas vezes sem pensar. Uma piada aqui, outra lá, uma revolta aqui, outra lá. Às vezes até acertamos na piada, ou até mesmo na revolta e quando isso acontece vem uma enxurrada de curtidas, compartilhamentos e comentários. É o mundo virtual ao nosso redor reagindo às nossas ações.

Mas saindo um pouco da vida virtual e partindo para a vida real, será que temos o costume de nos fazer essa pergunta a nós mesmos? No que estamos pensando ultimamente? Em tom de brincadeira, muitas vezes, quando estamos com o pensamento longe, alguém próximo já deva ter nos falado algo do tipo: “Está pensando na morte da bezerra!”. O fato é que, pensando ou não na morte da bezerra, estamos influenciando o meio ao nosso redor e isso impacta em primeiro lugar em nós mesmos, primeiramente em nosso corpo que é o primeiro meio a ser atingido.

Recentemente assisti um documentário interessante no Netflix chamado HEAL – O Poder da Mente (recomendo). Nele são relatados alguns casos por pessoas com diferentes problemas de saúde, onde adquiriram a cura de suas doenças através do poder da mente, ou seja, do pensamento. Cientistas, psicólogos e estudiosos da espiritualidade também dão seus relatos nesse filme, e o que podemos perceber é que uma coisa que é óbvia está sendo “descoberta” agora: nós temos o poder da criação através do pensamento. Portanto do mesmo jeito que criamos as nossas próprias doenças também podemos criar a nossa própria cura.

Acreditem ou não isso é um fato que está sendo descoberto pela ciência. Muitas doenças são consequências do nosso “mal pensar”. Quer dizer então que nunca mais vou precisar de um médico para me curar de um câncer? É obvio que não. Mas manter o pensamento elevado é um remédio de principalmente de prevenção a doenças como essas. Provavelmente você já deva ter ouvido falar de alguém que adquiriu uma gastrite e que a sua causa é emocional. Pois bem, estamos cientificamente evoluindo para descobrir que boa parte (ou quase todas) das doenças que adquirimos são reflexos de nosso mal pensar.

Efeito dominó. Vamos a um exemplo tosco: você tomou um fora da pessoa amada. Por falta de conformidade e incompreensão da situação como um todo, consequentemente ficou triste com isso. Seus pensamentos em relação a isso são sempre os mesmos, pensamentos de culpa (sejam eles direcionados a você mesmo, ou a essa pessoa), medo, inconformidade, falta de aceitação, raiva e uma série de pensamentos negativos. Consequentemente te falta o apetite na hora das refeições, que gera emagrecimento, que abaixa a imunidade, que gera um resfriado e que evolui para uma gripe. Resumindo você está doente, ou melhor você está com “mal pensar”.

Uma gripe é até que tranquilo de curar, mas pessoas que já tem uma pré-disposição a terem pensamentos mais complicados, negativos, ao passarem por situações de inconformismo podem adquirir a tão famosa depressão, ou câncer, ou qualquer outra doença mais grave. Segundo os relatos do documentário HEAL, temos o poder de produzirmos a nossa auto-cura através do pensamento, e eu não duvido disso. Mas acredito que somos bem fracos ainda enquanto seres pensantes. Então aminha reflexão é que deve ser muito difícil depois de adquirir uma doença grave, manter o pensamento positivo, o esforço diante das circunstâncias deve ser bem maior.

Diante disso, vamos aproveitar enquanto estamos “bem de vida” pra exercer o pensamento mais positivo de todos: a gratidão.

“Se for pra causar, cause amor”

Gil Sant’Anna

Toca o foda-se!

O ano de 2019 tem nos dado sinais do que é a verdadeira vida. Pessoas morrem repentinamente nas mídias, seja numa queda de helicóptero, seja num desastre em massa. Sem contar aquelas que morrem todos os dias e a gente não fica sabendo. E são inúmeros motivos, fome, frio, atropelamento, taquicardia, etc.

É aquele velho ditado: “Pra morrer, basta estar vivo.”.

Mas o que é estar vivo? Será que já não estamos mortos, ou morrendo há algum tempo? Tenho me deparado muitas vezes com pessoas com problemas de depressão, por conta de insatisfações internas de sentimentos. Insatisfação com o trabalho, com o cônjuge, com um familiar, e até consigo mesmo. Aí procuram coisas para suprir essa insatisfação. Compram coisas, postam selfs com textos de auto-afirmação, fazem uma viagem para simplesmente esquecerem o que está dentro de si mesmas. Eu já fiz isso um monte de vezes, e de vez em quando ainda me pego fazendo.

Mas hoje eu já consigo perceber que quando vem um sentimento desse é porque eu estou morrendo, ou antecipando a minha morte.

Problemas existem e sempre vão existir. O grande problema é que a gente costuma virar o nosso próprio problema. HAJA PROBLEMA! E quando isso acontece estamos começando a entrar no leito da morte. Tudo ao redor nos remete ao nosso problema. Amigos, lembranças, ou alguma coisa que você viu na rua nos remete a voltar os nossos pensamentos para o nosso problema, seja ele qual for. Aí deixamos de viver a vida para viver o problema. Nisso morremos na vida. Você deixa de existir, enquanto pessoa, para as coisas e oportunidades que estão ao seu redor, para existir apenas para o seu problema.

Aí o problema aumenta de tamanho, óbvio! Afinal a importância que damos a ele é mil vezes maior do que a importância que deveríamos dar para a nossa vida.

O trabalho fica massante, o cônjuge fica insuportável, o amigo vira inimigo pelo fato de não nos entender do jeito que gostaríamos e o parente deixa de ser querido por não nos acolher como gostaríamos. Aí começamos a fazer um monte de merda. Beber em excesso, fumar em excesso, uso de droga, gastar dinheiro a toa, etc, etc, etc. Ansiedade!

A grande verdade é que, todo problema tem solução. Clichê isso né? Então vamos melhorar.

A SOLUÇÃO NÃO ESTÁ NO PROBLEMA!

Portanto não adianta a gente se tornar o problema, pois desse jeito a gente vai criar mais problemas. Você não é o seu trabalho. Você não é o seu cônjuge. Você não é o seu parente. Você não é o seu dinheiro. Enfim, você não é o seu problema.

Então apenas viva o seu presente, as oportunidades que aparecem pra você viver são justamente os meios que o Universo lhe dá para sair do seu problema e conseguir solucioná-lo de forma tranquila e mais amena.

  • Recebeu um convite pra sair pra dançar com um amigo. VAI!
  • Deu vontade de ir no cinema mas não tem com quem ir. VAI!
  • Deu vontade de viajar e conhecer um lugar novo. VAI!
  • Deu vontade de pedir demissão e mudar de vida. VAI!
  • Deu vontade de comer uma pizza com o vizinho. VAI!
  • Deu vontade de adicionar um crush no seu Instagram. VAI!
  • Deu vontade de dizer “eu te amo” pro ex. VAI!

TOCA O FODA-SE!

Vai viver a vida sem medo de ser feliz. Não morra antes da hora! Afinal, a vida é um sopro. Tem gente importante morrendo pra simplesmente mostrar a você o quanto a vida aqui na terra é delicada. Amanhã pode ser você. E quando isso acontecer vai olhar pra trás e ver quanto tempo você perdeu se tornando o seu próprio problema. Só que a fila da encarnação é grande, amigo! Vai demorar pra você voltar aqui pra fazer tudo que deveria ter feito e não fez. Então faça agora!

“Se for pra causar, cause amor.”

Gil Sant’Anna

Homem bom

Você acredita em anjos? Eu acredito. Mas os que eu acredito não tem auréola e nem asas. Eles não se tornam estátuas ou mosaicos de uma igreja qualquer. Não usam cajados ou túnicas, e nem fazem grandes milagres com poderes paranormais.

Os anjos que eu acredito são como pessoas comuns. Eles são tão comuns que a gente só percebe que são anjos depois que eles se vão. Sabe aquela pessoa que passa por sua vida por algumas horas, convive com você, transforma a sua vibração negativa em positiva e depois que conseguem esse objetivo (de forma inconsciente) se vão e não voltam nunca mais?

Já aconteceu de você estar num momento difícil e uma pessoa passar por você e, por algum gesto ou atitude, ela te tirar desse momento te proporcionando uma situação bem mais agradável do a que você estava?

Em alguns casos chega a ser sutil, mas a gente vai se envolvendo e sendo tomado pela energia daquela pessoa que acaba preenchendo aos poucos, fazendo-nos sair daquele universo que nós mesmos criamos e nos ajudando a criar um novo universo. Um universo compartilhado junto com ela.

Comigo pelo menos aconteceu assim…

Eu estava tocando no Hostel Beira Mar em Ilha Grande. Estava num dia difícil, passava por um recente término de relacionamento em que eu gostava muito da pessoa e ela inclusive estava no mesmo ambiente. Muitas reflexões passavam por mim. Durante o dia todo antes do show procurei ficar sozinho, curtir a praia comigo mesmo e até senti meu falecido pai me consolando em espírito. Tem até um texto sobre esse episódio em que escrevi nesse link:

Durante o show me deu vontade de tocar uma música nova. Ela se chama “Homem Bom”. É uma bossa nova com uma letra bem reflexiva (coisas de Gil Sant’Anna). Inclusive tem um trechinho dela no meu canal do Youtube, pois vou lança-la em breve no novo disco CAUSE AMOR.

Link de Homem Bom:

Percebi que no momento em que estava tocando essa canção, uma garota me observava atentamente com um olhar de admiração pela música e fiquei curioso. Ao final do show fui até a mesa dela agradecer por ela ter me prestigiado. Ela elogiou a canção e eu fiquei muito feliz, pois tratava-se de uma música autoral escrita por mim. Não era um Rappa, nem um Natiruts, nem um Bob Marley, era Homem Bom de Gil Sant’Anna. Ela fez questão de perguntar o nome da música, realmente a tocou de alguma forma, e aquilo abriu portas para uma boa conversa e inclusive um encontro no dia seguinte para uma trilha até a Praia de Lopes Mendes.

Eu pedi para ela salvar o meu contato e me chamar no dia seguinte para combinarmos a trilha, e ela salvou meu número como “Gil Homem Bom”. A indiazinha de 20 anos de Petrópolis disse que na manhã seguinte passaria as 9 h no hostel para me buscar. Dito e feito! Em nenhum momento ela me mandou um zap, ou me ligou. Simplesmente chegou as 9 em ponto com sua mochila e disposição, e ainda me disse: “sou uma mulher de palavra!”

Achei curioso aquela independência toda e óbvio assumi a postura de tiozão cuidador, afinal ela só tinha 20 aninhos (já tenho idade pra ser pai dela em tempos modernos) e estava viajando sozinha pela primeira vez, segundo seus relatos na noite anterior. A caminhada na trilha estava indo bem, ela tinha disposição de sobra pela idade, e contava sobre a vida enquanto pulava os barrancos e cascalhos do percurso. A mochila dela era pequena e por esquecimento não havia uma garrafa de água. Então sempre que via o seu cansaço eu oferecia a minha água pra ela.

Fim da primeira trilha e paramos para dar um mergulho na Praia das Palmas. O mar estava delicioso. Seguimos em frente rumo a Lopes Mendes e após mais 30 min de trilha chegamos ao local desejado.

Na saída da trilha dávamos em uma ponte de madeira com no máximo 2 metros de altura por cima da areia e o visual da praia lá de cima era vislumbrante! Lembro dela de boca aberta dizendo: “Porra Lopes Mendes!”

Cheguei a fazer uns vídeos nos stories do Insta (meu canal @santannagil) sobre essa chegada. Um lugar isolado, poucas pessoas e poucos barcos. Areia clara e o mar verdinho contrastava com o azul do dia lindo que fazia no céu.

Fomos até o canto direito da praia. Colocamos nossas coisas em um tronco de árvore e demos mais um mergulho. Nessa hora a fome já estava começando a bater e ela sugeriu que fôssemos até um gramado que havia na parte do meio da praia e comêssemos algo ali.

Pensei que na mochila dela houvessem frutas, ou biscoitos, ou salgadinhos, essas besteiras que a gente leva pra uma trilha ou uma caminhada qualquer. Foi então que ela sacou 2 potes de marmita. Ela havia feito frango com arroz e cenoura, e disse: “Toma, eu fiz esse pra você!”

Na hora eu ri de felicidade. No meio daqueles difíceis dias de desprezo em relação a minha ex, um anjinho surgiu do nada e com um gesto simples demonstrou que havia pensado em mim. Aquele arroz com cenoura e frango foi sem dúvida a melhor refeição do ano de 2018.

Tiramos fotos juntos, rimos juntos, eu ensinei ela a boiar no mar. O fim de tarde chegou e rolou uma preguiça de voltar pela trilha, então resolvemos esperar o barco. Foi o dia mais leve que tive durante o Réveillon. Nunca mais a vi. Não me lembro de seu nome, pois era um nome difícil e minha memória pra nomes é péssima.

Mas talvez anjos sejam assim, sem nomes. Eles vêm, elevam a nossa vibração, nos mostra o quanto somos importantes e depois se vão sem deixar rastros. No meu celular, apenas algumas fotos desse anjinho sem asas e nem auréola, no celular dela um contato salvo como “Gil Homem Bom”.

“Se for pra causar, cause amor”

Gil Sant’Anna

A falta de amor gera amor – Brumadinho

Esses últimos dias tem sido bem difíceis para nós brasileiros. Gente importante como Marcelo Yuka e Caio Junqueira deram adeus a essa terra comovendo-nos por alguns dias. Mas a maior comoção acredito não ser por pessoas “tão importantes” assim. O tsunami que aconteceu em Brumadinho tem comovido muito mais do que qualquer morte de uma estrela do rock.

Tenho visto inúmeros posts sobre isso que vão de reclamações até iniciativas de solidariedade aos que sofreram o tal “acidente”. Para muitos, pode parecer chato ficar vendo esse falatório sobre o ocorrido, mas se pegarmos de um ponto de vista positivo, catástrofes e acontecimentos de caos coletivo nos forçam a procurarmos dentro da gente o nosso sentimento mais sublime, e que por inúmeros motivos encontra-se escondido, o finalmente AMOR.

Sim, a comoção é um sinal de amor. E quando ela é coletiva, pode ter um efeito muito forte quando aplicada uma ação aliada a ela. Alguém aqui se lembra da bomba de Hiroshima? E do ataque terrorista das torres gêmeas? Esse último inclusive é mais recente. Quantas pessoas (amor) foram necessárias para reconstruir um Japão pós-guerra? Quanto se foi mobilizado (amor) para auxílio aos familiares envolvidos no ataque às torres gêmeas? Quantas pessoas (amor) estão se mobilizando agora com doações para envio a Brumadinho?

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A verdade é que a falta de amor gera amor! Ela nos força a trabalharmos esse sentimento que nasceu junto com a gente, e a gente só se dá conta quando acontece alguma merda.

Sabe aquele parente que você parou de falar há mais de 10 anos por algum motivo que você nem se lembra mais? Imagina se ele estivesse trabalhando nas barragens de Brumadinho no momento do desastre? Com certeza, aquele motivo que você nem se lembra mais, será no mínimo insignificante. Aí pode ser que você se dê conta do quanto o amava, mesmo sentindo raiva dele.

Que louco isso! A gente precisa das coisas ruins para dar valor as coisas boas, pois quando a gente possui o que há de melhor pra nós, jogamos fora. Até quando iremos jogar fora coisas do tipo:

  • Família
  • Namorados, conjuges e afins
  • Dinheiro
  • Conhecimento
  • Espiritualidade
  • Viagens
  • Informação
  • Oportunidades em geral, etc.

 

Em 2011 foi notificado por especialistas ambientais que as barragens de Brumadinho mereciam atenção, pois estavam sob ameaça de desmoronamento. O que o governo (nós) fez? Jogou fora essa informação.

Estamos em 2019 obrigados a exercer o amor!

“Se for pra causar, cause amor”

Gil Sant’Anna

Toquei de graça sem querer

Acabo de chegar em casa bem cansado por sinal. Descarreguei todo equipamento do carro. As escadas da porta de entrada para minha casa estavam mais íngremes hoje. Talvez porque dormi menos tempo que o normal essa noite, embora não tenha dormido mal.

O show de hoje (sábado 19/01) foi intenso. Dessa vez não falo de Gil Sant’Anna, falo de um projeto no qual eu faço parte como convidado, que é o Especial Natiruts. Há alguns anos já venho cantando pela região do ABC nesse projeto. A similaridade de timbre de voz entre a minha e de Alexandre Carlo (vocalista do Nati) tem me favorecido nisso. Alguns relatos que chegam até mim dizem coisas do tipo: “se eu fechar o olho e só escutar, é o Natiruts”.

Por um lado é bacana esse reconhecimento, mas por outro nem tanto. Penso que viemos a Terra para deixar um legado, para deixar uma marca, a nossa marca, e não re-marcar o que já existe. Mas procuro entender que é preciso humildade para se tornar alguém que possa ser marcante para outras pessoas e continuo seguindo conforme as ordens do Universo.

Acho que tem dado certo. Tenho conhecido algumas pessoas que através desse especial tem me conhecido melhor. Não sei se as marco de alguma forma, mas com certeza elas me marcam. Algumas vem, deixam sua marca e se vão. Outras vão ficando aos poucos e me marcando cada vez mais. Talvez aquelas que de certa forma se tornam marcadas por mim também. É interessante, dá pra filosofar bastante com isso. Mas o que realmente marcou para mim nesse último show foram duas situações. Posso dizer aquela frase: “tenho duas notícias, uma boa e uma ruim, qual você quer primeiro?”

Vou contar a ruim primeiro. Recebi o cachê após show. Coloquei em um bolso lateral dessa berbuda da foto acima. No mesmo bolso estava a chave do carro e as duas palhetas que uso para tocar meus violões. Até aí tudo perfeito. Porém, ao chegar em casa, quando finalmente resolvi tirar a bermuda pra tomar aquele banho, ao conferir os bolsos, só haviam as duas palhetas.

Perdi.

Voltei andando o caminho de casa até onde eu estaciono o carro mas não havia nada no chão. Legal, toquei de graça sem querer!

Imediatamente me veio as lembranças de quando eu era mais jovem e buscava um lugar ao sol com o meu violãozinho. Puxa… Quantos shows gratuitos eu já fiz? Inúmeros! E sinceramente, muitos deles foram melhores do que os de maiores cachês. Apesar da chateação de ter perdido o cachê de hoje, percebi o quanto eu cresci como músico desde 2001. Foram tantas experiências que me marcaram que, hoje, depois de ter perdido o dinheiro, me dei conta do quanto me tornei marcante para algumas pessoas.

E aí vem a notícia boa!

Depois do show de hoje, quando encerrei a última música, uma pessoa se tornou marcante pra mim ao pedir que eu tocasse “Reggae de violão”, uma canção autoral minha que fiz lá em 2001, quando eu tocava de graça pros amigos em volta de uma fogueira em um terreno abandonado.

Esse tipo de coisa não tem preço, não há cachê que pague! Talvez seja por isso que eu tenha perdido o dinheiro. É o Universo me mostrando o quanto estou sendo marcante para as pessoas.

“Se for pra causar, cause amor”

Gil Sant’Anna

Ser feliz dá trabalho!

Esses últimos dias foram intensos para mim. Uma sequência de 4 shows seguidos de quinta a domingo sem parar! Mas quero aqui falar especificamente de sábado.

Em Boiçucanga (praia do litoral norte de Sampa) eu já venho fazendo shows já há algum tempo. Os primeiros shows eram apenas em 2 integrantes, no caso, eu e o mestre Papinha (percussionista). Lembro que eu brincava com ele quando, na estrada para Boiçucanga, eu dizia “bora conquistar o mundo”. A gente dava risada e ia sorridente descer a serra, muitas vezes para voltar no mesmo dia. E foram inúmeros shows, inclusive um deles está descrito em um dos primeiros posts desse blog no link: https://turnelivreblog.wordpress.com/2017/05/27/boicucanga-abril-2017/

Hoje, a reflexão que trago é que, como todos sabem, tocar/ cantar para mim é o momento em que me encontro comigo mesmo, fazendo aquilo que estudei para fazer, aquilo que me faz completo, aquilo que realmente me faz feliz. Quando estou diante do microfone com meu instrumento, sinto como se o mundo fosse meu. E realmente ele é!

A grande questão é que, para que o mundo seja meu, o que nem todo mundo tem é a noção de que isso dá um trabalho da porra! Uma ex-namorada que tive recentemente, quando começou a acompanhar meu trabalho mais de perto uma vez me disse: “Nossa, eu não tinha noção de que você carregava todo equipamento, montava tudo antes de tocar. Achei que era só chegar, tocar e pronto.”

Pois é querida, achou errado! rs… E assim, de grão em grão, a gente faz o feijão criar caldo!

Hoje, eu já consigo levar uma parte da banda para fazer os shows comigo no litoral, só que tem aí um detalhe. Quanto mais integrantes eu levo, mais trabalho eu tenho. Então, quando alguém senta na cadeira de praia olha pro mar e escuta eu cantando “Reggae de Violão”, é porque antes desse momento acontecer eu já…

  • Acordei as 6 h da manhã no dia do show
  • Carreguei o carro com a bateria, e o equipamento de som
  • Combinei pelo whatsapp com o pessoal da banda sobre horários
  • Passei no posto para abastecer e calibrar os pneus
  • Passei na casa de um dos integrantes para levá-lo comigo
  • Desci a serra de Sampa pra São Sebastião
  • Peguei um trânsito lascado na estrada
  • Fiz vídeos documentando os momentos principais para colocar no Instagram e Youtube
  • Peguei mais trânsito
  • Fiz uma parada para um pipi
  • Depois mais trânsito (quase 5 horas)
  • Cheguei no bar para tocar
  • Armei todo espaço para poder me instalar com meu equipamento
  • Tirei algumas pessoas de algumas mesas para poder melhorar o meu espaço (inconveniência no começo para gratidão no final)
  • Encontrei o pessoal da banda
  • Montei o equipamento de som e fiz a equalização para ficar audível
  • E finalmente: TOQUEI e CANTEI!

Tudo isso e mais um pouco pra que? Simplesmente para ser feliz! Então fica um pergunta minha aqui:

Ser feliz dá trabalho?

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Não sei pra vocês, mas pra mim dá e muito! Acho que esse é o grande lance, se não fosse o trabalho do percorrer pra ser feliz, talvez o momento feliz não seria tão feliz assim (redundante, mas é bom escrever a palavra “feliz”) . E tem gente chorando em busca de felicidade sem se dar o luxo de fazer o corre por ela. Quer terminar um curso de faculdade? Vai ter que estudar duro. Quer se casar com o grande amor da sua vida? Lute para conquistá-lo. Quer fazer a viagem dos sonhos? Guarde dinheiro todos os dias. Quer se tornar um atleta olímpico? Treine todos os dias para isso.

E você? Vai ficar aí reclamando que não é feliz, ou vai TRABALHAR para alcançar a sua felicidade?

Se você tem uma história bacana de um momento feliz em que deu duro para obtê-lo, compartilha comigo e vamos trocar essas experiências!

“Se for pra causar, cause amor”

Gil Sant Anna

Living on the flow

Tenho visto que “flow” é uma palavra que tem sido bastante usada ultimamente. Na internet, na rádio, na música, principalmente no Hip Hop, talvez na TV (não costumo assistir). Para mim ela tem aparecido bastante nas minhas pesquisas que faço no google, tanto que resolvi escrever sobre isso.

Flow significa fluxo em sua tradução para o português. E o que realmente significa fluxo? A melhor definição que encontrei no dicionário foi essa:

(…)fluxo é a sucessão de acontecimentos, é uma grande quantidade de fatos, de ideias ou de ações.

Pois bem, acredito que estamos em constante movimento. O planeta gira, os dias se tornam noites e as noites se tornam dias. Pessoas nascem, pessoas morrem. Uma sucessão de fatos ocorrem todos os dias e no meio deles estamos mergulhados. Mas quem aqui vive presentemente no fluxo? Quando eu digo presentemente, falo de presença de alma, espírito, pensamento, pois necessariamente somos obrigados a viver no fluxo, muitas vezes de modo automático. Mas e a nossa presença de espírito e pensamento nesse fluxo? Será que ela acontece 100% das vezes?

Acredito que não. Se ocorresse não teríamos tantas doenças da moda como depressão acontecendo diariamente. O fato é que por mais que estejamos inseridos no fluxo diário do cotidiano, muitas vezes nossos pensamentos estão em outro tempo.

Nos preocupamos com o que vai acontecer, ou o que já aconteceu e ficamos ansiosos com os nossos próprios pensamentos. Nosso corpo e atitudes mecânicas estão inseridas no fluxo, mas nossa mente e espírito não estão ali, estão em outro tempo. E essa divisão entre estar fisicamente em um lugar, mas presencialmente em outro é que pra mim gera problemas.

Então, o que fazer quando nossos pensamentos são distraídos para um lugar fora do fluxo que possa não nos fazer muito bem?

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Acredito que o auto-observar seria a melhor solução. Lendo algumas coisas sobre o Budismo e outras crenças similares, a meditação é algo que ajuda a nos auto-observar. Mas esse exercício de auto-observação é de cada um, não necessariamente ocorre só em meditação. Saber sair do pensamento e observar o pensamento como um objeto de produção de nossa mente não é um exercício muito fácil, pois estamos o tempo todo pensando e nossos pensamentos se misturam com outros que chegam por uma ideia, ou inspiração, ou observação de algo ao nosso redor, ou lembrança, ou até mesmo alguma angústia dentro de nós.

Pensar é fácil, o problema é identificar o pensamento como sendo algo que vai nos agregar ou nos prejudicar. As vezes aquilo que achamos que irá nos agregar acaba nos prejudicando e vice-versa. Então como fazer para identificar ao certo o que serve e o que não serve?

Na minha humilde opinião, quando conseguimos identificar que o nosso pensamento não faz parte do fluxo em que estamos inseridos, então ele pode ser prejudicial. Portanto, minha dica é, procurar viver com o percentual maior de pensamento dentro do fluxo, pois o que já passou, passou e o que está por vir nem chegou ainda.

Então identifico que fluxo pode ser o presente. E nada melhor do que estar presente dentro do próprio presente! É redundante mas, estar presente no presente é o melhor presente que possamos nos dar.

“Se for pra causar, cause amor”

Gil Sant’Anna