Curta e bela

A vida é bela!

Essa frase é um cliché, mas ao mesmo tempo uma realidade, a partir do momento que se compreende que ela (a vida) é muito curta.

Pode ser curta pra não tomar um sorvete com sua mãe. Pode ser curta pra evitar um amigo que vem de tão longe pra te ver. Talvez ela seja curta demais pra não olhar no olho de alguém interessante. E se for curta demais pra não fazer uma viagem sozinho?

A gente tem mania de valorizar o que realmente não tem valor até aprender que certos valores só vem com o tempo, e geralmente quando conseguimos valorizar, o tempo já passou. Aí vem o arrependimento.

“Putz… Devia ter feito isso, ou aquilo, lá atrás! Se eu soubesse que era assim… Queria ter a sabedoria de hoje com a idade de ontem…”

Quem nunca passou por isso? Quem nunca?

A real é que existe um medo medonho de viver a vida. O tal do “se” entra na frente de várias decisões. A gente vive o “se” mais do que a própria vida, sem saber se ele realmente vai existir de verdade. Então a gente cria a existência do “se” a ponto dele realmente se materializar em nossas mentes e deixarmos de viver certas situações.

Aí frases do tipo “eu te amo” se perdem no tempo e espaço. O “não” entra em vigor como uma falsa proteção, produzindo um conforto superficial até o despertar do “sim” acontecer depois que o “se” deixou de ser uma verdade existencial, para ser compreendido pelo despertar de que a vida passa muito rápida, e que certos momentos deveriam ser vividos naquela exata ocasião.

Tudo bem, a vida é cheia de ciclos e pode até ser que exista uma nova chance. Mas um por do sol nunca é igual ao outro, por mais que ele se ponha no mesmo lugar. Então, deixar para aplaudi-lo no dia seguinte, pode não ser a melhor opção. Vai que o tempo resolve mudar.

Já te disse que te amo hoje? E você? Já tomou coragem de dizer isso pra aquela pessoa que você morre de medo de não ser recíproca? Já ligou pra quem você realmente quer falar, ou ainda está esperando ela ligar? Já deu um abraço apertado na sua mãe e disse o quanto ela é importante pra você? Já perguntou pra aquele irmão que você não vê há meses como ele se sente? Já convidou aquela mina (ou o mino) pra jantar? Já fez as malas pra sua próxima trip?

Só não reclame se não conseguir ver o sol porque a vida nublou!

“Aqui só não tem caô.”

Gil Sant’Anna

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Eu sou diferente, eu sei.

Eu sou diferente, eu sei. E pago o preço da indiferença por ser assim. Eu poderia ser igual a todos, sei lá.

Chamar pra “tomar uma”, falar umas groselhas machistas, te levar pra casa no meu carro lavado e com pretinho no pneu. No meio do caminho, com você encachaçada, forçar a barra até conseguir te levar pra cama de um motel onde já se deitaram inúmeras pessoas que fizeram a mesma coisa.

Mas eu sou diferente, eu sei. E pago o preço da indiferença por isso. Ao invés de “tomar uma”, eu tomo suco de laranja ou qualquer outro sabor que não tem a menor graça perto da sua cerveja. Eu te convido pra jantar com um bilhete feito a mão e a rosa mais bonita da loja. Eu olho no seu olho e digo coisas da minha evolução, eu procuro te escutar e iluminar toda sua escuridão.

E o meu carro? Tá sujo da praia que fui ontem, onde fiquei horas pensando em como te levar um dia, para que você pudesse ouvir o barulho do mar comigo.

Eu sou diferente, eu sei. E pago o preço da indiferença por ser assim. Eu poderia ser igual a todos, sei lá. Fumar um narguile ou apertar um baseadão, ficar com “o zóio estalado” falando groselha, ouvir um pancadão e te colocar uma aliança de compromisso, só pra dizer que você é minha e te proteger do mundo. Mas ao invés disso, minha vontade é de te convidar para uma peça de teatro numa noite dessas de chuva, onde eu possa me molhar por ter colocado o meu casaco em suas costas.

Eu sou diferente, eu sei, e pago o preço da indiferença por isso. Eu poderia ser igual a todos, sei lá. Talvez te chamar pra dançar forró seria uma boa idéia, a gente dançaria até dizer chega e você só dançaria comigo, mesmo sabendo que o melhor dançarino da pista está louco pra dançar com você. Mas para não arrumar confusão você se submeteria arriscar a se desequilibrar comigo a noite toda, pelo fato de eu ser bem desengonçado. Mas ao invés disso, eu te sugiro a dançar com seus amigos enquanto eu realizo a gravação de mais um disco importante de minha carreira. Ao final da noite a gente contaria um para o outro nossas experiências e dormiriamos juntos depois das histórias engraçadas de cada um.

Eu sou diferente, eu sei, e vejo que você até tenta seguir um caminho, mas quando tudo parece que pode ir bem, você desiste no primeiro telefonema daquele outro lá, que se passa por diferente mesmo sendo igual a todo mundo. Ele diz coisas pra você pensar que está tudo bem e vocês tiram o melhor proveito de tudo, onde pra você existe a esperança de continuidade, mas a única coisa que continuou foi a vida dele sem você. Aí então eu seguro o seu chôro, falo de coisas da vida e você volta pra mim com todo abalo que precisa do abraço que você não teve nos braços que você queria ter. Ainda assim, eu continuo diferente porque penso que não seria legal me aproveitar de um momento de carência para poder conseguir o que eu queria. Na minha cabeça, é preciso que ambos estejam conscientes do que realmente querem, e quando sua consciência reaparece, vejo você partir de novo em busca de uma nova aventura que te preencha nos moldes que você criou de uma vida perfeita.

Pois é, eu sou diferente, eu sei. E isso te incomoda por que é difícil de lidar, então é mais fácil agir com indiferença quando eu novamente tentar me aproximar de você. Ou talvez se aproveitar para ficarmos apenas “amigos”. Até mesmo porque o seu conceito de amizade é o que pode te proteger de mim, enquanto o meu é que nunca existirá amor sem sermos no mínimo amigos um do outro.

Que droga! Eu sou diferente e isso faz com que você demore séculos para me responder uma mensagem de um simples bom dia no zapzap, justamente porque tem medo de dizer “não” sem saber se está me dizendo “sim”. E é melhor que se passem mais dias para que se caia no esquecimento, até você me chamar como se nada estivesse acontecido.

Ah, se o seu beijo demorasse o mesmo tempo em que você demora pra me responder, talvez tudo pudesse ser bem diferente, mas jamais eu vou saber, só porque sou diferente, e até mesmo a sua indiferença, hoje, eu procuro compreender.

“Obscuro é o amor não seguro”

Gil Sant’Anna

Das cavernas ao blog

A gente não sabe, mas a verdade é que não se nasce por acaso. Existe uma missão que foi colocada em nossas mãos que a gente mesmo escolhe antes de vir. É como se a estudássemos bastante antes de vir pra assumir uma responsa que escolhemos assumir.

Mas tem um problema. Somos imensos. Digo no sentido espiritual da coisa. Imagina só você ter em toda sua alma os registros de tudo que você foi desde o momento em que foi criado. São milênios de armazenamento de dados e informações desde os tempos das cavernas! Caraca, eu aprendi a fazer fogo atritando galhinhos e hoje eu digito num teclado cheio de símbolos pra escrever minhas viagens mentais num blog. Das cavernas ao blog quanto tempo já não se foi de aprendizado.

Agora imagina armazenar tudo isso num órgão chamado cérebro? Cara, não tem espaço pra acumular tudo isso! A gente seria muito feio por sinal, um homenzinho com um cabeção gigante, praticamente um ET (me imaginei agora um ET de dreads, credo!). Pois então está explicado o motivo pelo qual não sabemos ao certo o que viemos fazer aqui, a nossa missão. Não cabe tanta informação no cérebro. Mas isso não é problema, porque acho que podemos descobrir aos poucos, talvez através de nossos talentos. Acredito que os talentos podem ser uma dica para onde devemos ir. E provavelmente o nosso ir estará sempre relacionado ao ir dos outros, só pelo fato de estarmos todos no mesmo barco chamado Planeta Terra.

Então não adianta achar que o nosso talento servirá somente para nós. Ele é a chave da missão que nos incumbimos de fazer para ajudar quem estiver ao nosso redor. E sabe o que é mais legal? É que ele vem desde os tempos das cavernas, sendo aperfeiçoado a cada existência que vamos tendo para que a gente utilize quando menos esperamos, quando menos imaginamos.

A gente não dá conta do quão FODA a gente é. A gente só sabe quando entra num perrengue e consegue sair sem perceber que talento a gente usou pra isso, ou até mesmo quando aquela pessoa que a gente ama passa por um perrengue e pede socorro pra gente, e conseguimos ajudar, muitas vezes sem ter a menor noção de que somos capazes disso. Vai meio que por instinto, de forma natural. E de tão natural que é, passa despercebido e a gente nem dá valor.

Já sabe o que você veio fazer aqui? Não? Então procure prestar atenção nos seus talentos, desde lavar a uma louça até a restaurar uma pintura do século passado. O meu está no palco, e o seu?

“Use do seu talento, do seu amor”

Gil Sant’Anna

Fotografia: Mell Gonçalves

5 segundos de brisa

Descobri que sou um apaixonado pela vida. Gosto de apreciar coisas bobas como uma árvore diferente, um por do sol mesmo que atrás de um prédio, uma borboleta que passou, um caminhar diferente, um sorriso de uma criança, um cachorro latindo pro nada.

São tantas coisas bobas que passam despercebidas. Talvez elas sejam apenas uma forma de recarregar as minhas energias e quando as observo sinto algo diferente em mim. É algo bom, uma espécie de admiração e reflexão que me pega de surpresa, e quando vi, já apreciei o momento.

Às vezes é rápido, mas às vezes pode ser devagar. Eu gosto mais quando parece ser devagar. É como se eu entrasse naquele momento numa realidade paralela onde só existe eu e aquilo que vejo, sinto, ouço. É bobo, é poético talvez, mas é um descanso pra alma, por mais que sejam 5 segundos de uma abelha que pousou no seu copo de suco durante o almoço.

Eu particularmente gosto de observar a coloração das nuvens quando o sol se põe. Existe uma infinidade de cores que vão do cinza ao laranja, às vezes rosa. É muito louco! Aí eu fico brisando em como tudo é feito, como tudo foi criado, como aquela luz vem de encontro aos meus olhos e se traduzem em cores. Ainda bem! Eu estou enxergando! Dá até para agradecer esses 5 segundos de “descanso”. Parecem horas, mas foram só 5 segundos ou até menos.

Se liga na brisa: a luz do sol bate na atmosfera da terra que desvia para uma nuvem qualquer, mudando a sua coloração e também desviando diretamente para o meu olho, que filtra e recebe a luz, onde através da sensibilidade envia a informação ao cérebro, que traduz algo do tipo “nossa que da hora a cor dessa nuvem”. Tudo isso em pouco menos de 5 segundos.

Isso se chama presença!

Já teve essa brisa de 5 segundos? Conta aí!

“A paixão pela vida que me rodeia é a solução pra viver de bem”

Gil Sant’Anna

A força dos pequenos gestos

“Bom dia, boa tarde, boa noite, boa semana, bom final de semana, bom feriado, boas férias, bom trabalho.

Meus sentimentos, meus pêsames, fico triste por você, te compreendo, desculpe, foi mal, não consegui te responder antes mas faço isso agora.

Já te ligo, já te falo, espera um pouquinho que já te respondo, não tinha visto antes o seu recado mas agora vi, estava ocupado mas podemos falar agora.

Espero você, relaxa, sem pressa, vai no seu tempo, quando puder me retorne, não esqueci de você.

Estou passando para dizer que lembrei de você hoje, você está bem? Como vai a família, seu pai, sua mãe, seu irmão?

Vai passar, tudo passa, você vai conseguir, confio em você, acredito no seu potencial, é só uma fase.

Não é nada pessoal mas discordo, não é bem por aí, eu conheço outro caminho, posso falar o que eu penso?

Estou do seu lado, posso te ajudar.”

Foram apenas alguns exemplos que nessa manhã me veio à cabeça e que parece tão óbvio que algumas vezes se extinguem, sem que a gente perceba. Aí vai ficando para trás toda cordialidade que um dia existiu nos tempos dos avós.

No meu particular, juro que eu pensei que eu poderia estar sendo brega, em tempos atuais, ao entregar flores a uma dama, mas fui surpreendido, quando recebi a notícia que ela sorriu com isso. Simplesmente achei da hora!

Saindo do meu particular, acho que o mundo pode estar bem difícil ultimamente. Eu vejo gente despreparada no poder, eu vejo a natureza morrendo em segundos, eu vejo líderes discorrendo veneno sobre um passado ditatorial, mas acho que combater tudo isso de frente pode não ser a melhor solução. Apontar pode ser bom para indicar onde está o erro, mas a solução pode estar no resgate aos bons costumes.

Talvez possamos regar a flor que há dentro da gente, e mesmo nos campos de guerra, onde a terra pode parecer infértil, podemos pelo menos colorir o chão com nossas pétalas. Fazendo uma alusão à uma realidade de relação inter-pessoal (o que acredito que esteja mais dentro do nosso cotidiano), não faz mal, quanto tempo a guerra do outro com ele mesmo vai durar. O que importa é que quando acabar, e ele estiver enlameado com suas próprias questões sem solução, vai conseguir desenvolver a esperança através do chão colorido que a gente deixou.

“Flores nascem belas porque um dia choveu nelas”

Gil Sant’Anna

O mundo é seu

“Sonhar é sentir tesão pela vida”. Eu ouvi essa frase em um dos vídeos de Fred Elboni e resolvi parar pra pensar em quantas pessoas perdem o tesão de viver, por não terem motivos pra sonhar.

Para mim, sonhar é ter expectativas, fazer planos, realizar projetos, enfim, se sentir útil não só para a sociedade, mas principalmente para si mesmo. Não é preciso ter grandes sonhos, como por exemplo, acabar com a fome na África, mas realizar pequenos sonhos que possam fazer bem para o espírito, pode ser a chave para a motivação e vontade de viver mais. Porém, até para pequenos sonhos é preciso um mínimo de esforço, nem que seja para ir até a padaria na mesma rua de casa e… comer um sonho!

É preciso abrir os olhos, levantar da cama, lavar o rosto e seguir em frente. Às vezes dá preguiça, eu sei, acontece comigo. Mas essa preguiça deve ser passageira, afinal se ela se perpetuar por muito tempo, pode ser que não seja realmente um sonho. Quem sabe, uma vontade passageira.

Mas e se o sonho der errado e eu não conseguir realizar? Talvez seja falta de percepção de que estejamos no caminho, no processo para a realização que só acontecerá quando estivermos realmente preparados, principalmente quando se trata de grandes sonhos.

Mas acredito que não desistir é a chave da conquista. Quando você tem um sonho e procura traçar um caminho para alcançá-lo, no meio do caminho você descobre que surgem outros pequenos sonhos, e isso dá mais vontade ainda de viver, ou seja, dá um tesão da porra pela vida!

Então pra quê ter medo? Tudo tem 50% de chance de dar certo ou 50% de chance de dar certo! Ué, mas significa então que numa empreitada não existe nenhuma possibilidade de dar errado?

Se entendermos que o errado é apenas o universo te mostrando o caminho certo, então, só pode dar certo! Sendo assim, vamos em frente, bora conquistar o mundo independente do tamanho que ele possa ter! Para alguns o mundo pode ser a descoberta da cura do câncer, para outros pode ser experimentar um novo sabor de sorvete.

Não importa o tamanho, o mundo é seu!

“Enquanto houver amor, haverá de ser feliz quando sorrir de tudo”

Gil Sant’Anna

Metade

De repente os dias já não demoram mais a passar. Eu mal abro os olhos e já é hora de fechar. A hora voa, e mesmo à toa, às vezes é preciso parar e pensar.

E quando penso que já vivi o que estatisticamente poderia ser metade, vi o quanto passei e não passei, de tantas escolhas, de tantas vontades. Aquilo que foi não volta mais. Amigos, parentes, pessoas e tudo mais. E o que seria demais querer saber o que está por vir, se aqui na metade da vida ainda há muitos caminhos a seguir?

A verdade é que não me sinto no meio de tudo isso, principalmente se eu pensar que sou um ponto no infinito, e na voz e no grito daquilo que já foi dito, sou apenas aquilo que realmente está cumprido.

Mas ainda há muito a cumprir. Desejos, metas, anseios a seguir, e é por isso que não desejo tão cedo da Terra partir. Imagine só, eu saindo daqui e olhando vocês viverem sem mim. Pode ser triste e desastroso abreviar a maravilhosa arte de viver, saber que sem um qualquer “você”, eu jamais seria o que hoje eu sei ser.

Por isso a importância de algumas coisas eu escolher, principalmente não fazer. Fumar, drogar, beber. Mesmo quando me dizem “logo você”!? E talvez seja por isso que ainda estou aqui, na metade dos oitenta, estreando os meus quarenta de uma vida tão sedenta, de viver mais que noventa. E não me sinto velho, nem tão sério assim, mesmo porque o amor sempre bate em mim.

Ah… Olha eu aqui falando de amor, como um jovem apaixonado que sou, deixo pras canções aquele tiquinho de dor. E não é novidade para mim me apaixonar por você, mas é novidade quando o você se torna a vida, de preferência bem vivida. Eu olho pro céu, pras árvores e pro mar. Eu olho pro sol, o entardecer se aproximando do luar. E de repente vem a noite que me pega de açoite e me transforma a cantar, me fazendo repensar, que realmente os dias já não demoram mais a passar.

Que bom que até agora eu percebi, que eu apenas vivi. Então desejo a você que também possa apenas viver.

QUARENTEI!

“Se for pra causar, cause amor”

Gil Sant’Anna

O Sol

Talvez precisemos olhar mais para o sol. O sol da tolerância, o sol do desapego, o sol da percepção, o sol da reciprocidade, o sol da compaixão, o sol da desilusão, o sol da verdade, o sol da consciência de nossa realidade.

Estamos tão apegados em nós mesmos, em nossos conceitos criados pelo que vivemos, em nossos corpos malhados pela vaidade, em nossas crenças adquiridas pelo que experienciamos… Enfim, tudo é o que eu quero, o que eu desejo o que eu faço, ou o que eu deixo de fazer. O meu querer está acima de qualquer um. O meu fazer é sempre melhor que o do outro, o meu julgar é baseado em conceitos que eu vivi mais importantes do que o seu. E enquanto pensarmos assim, vamos sem perceber, ficando cada vez mais apagados em nosso círculo, em nosso convívio com os outros, em nossa vida.

Entramos pra dentro de nós e ficamos frios, porque deixamos de receber a luz do sol que esclarece tudo sobre a vida e nos torna mais quentes. Faltam pessoas quentes, que não tem medo de dizer e ouvir a verdade. Pessoas quentes que não tem medo de sofrer e aprender a serem pessoas melhores.

Alguém melhor pode ser o sol de alguém que está na pior, mas mesmo na pior, pode ainda ser melhor do que esse alguém em algum outro aspecto da vida. E o que seria da vida sem essas diferenças que só conseguimos realmente enxergar a partir do momento que buscamos o sol, a tal iluminação de Buda, a sabedoria de Cristo, o raciocínio de Gandhi, a compaixão de Madre Teresa de Calcutá. Tivemos tantos sóis, tantas estrelas que brilharam porque exercitaram o esquecimento de si mesmas, para poder acolher a humanidade apagada dentro do seu eu.

Podemos então olhar mais para o sol? Podemos então fazer como essas flores gigantes que nasceram em meio aos ventos, as chuvas, ao frio, ao calor, mas que sempre em busca da luz do sol conseguiram chegar ao ápice de sua beleza dentro de um imenso ecossistema, onde cada elemento contribui com uma parcela para tornar o mundo, como um todo, um ambiente mais colorido e harmonioso, a partir do respeito às diferenças de cada ser criado pelo maior arquiteto de todos os tempos, que você pode chamar do jeito que você quiser.

“Flores nascem belas porque um dia choveu nelas”

Gil Sant’Anna

Presença

Vocês já devem ter percebido que eu gosto de falar sobre as relações, emoções e sentimentos humanos. Na era da internet com a velocidade da luz, essas relações se abalam facilmente através de posts com indiretas, curtidas com segundas intenções em fotos ou páginas de pessoas que podem “ameaçar” uma relação, conversas inbox etc.

Quem aqui nunca pegou seu companheiro(a) de conversinha suspeita com outro alguém no zapzap? Quem aqui nunca discutiu sobre algum tipo de atitude suspeita de seu parceiro(a) na internet?

Mas quem aqui nunca mandou uma mensagem escondida pra alguém? Ou deu aquela curtidinha de leve no(a) fã pra dizer “se der zica tô aqui”?

A real é que isso acontecesse com todo mundo e é preciso saber dosar o comportamento virtual para que não influencie na vida real. Afinal, vivemos o real, o palpável, aquilo que está ao vivo com a gente, que tem cheiro, forma, que tem calor. A internet pode parecer quente, mas pode ser fria.

Por mais que a internet venda a aquela vida perfeita, onde todos sorriem, todos são malhados e todos visitam lugares incríveis no mundo, é preciso saber quem na vida real está realmente ao seu lado, comendo feijão e arroz, ajudando a pagar aquele boleto atrasado, esperando na madrugada fria você sair do pronto socorro após a dose de soro na veia.

Então como dosar isso? Acredito que talvez olhando pra você e tentando perceber o mundo palpável ao seu redor. Acho que quando começamos a perceber a vida fora da telinha do celular a gente pode ter uma percepção maior de tudo e de todos. Não estou dizendo que devemos abandonar de vez a vida virtual, até mesmo porque tem muita gente que trabalha com isso, inclusive eu. Mas convido vocês a fazerem um experimento.

Tentem sair para um passeio e não registrar absolutamente nada no celular sobre esse passeio. Sim, não postar nada, não fotografar, não falar com ninguém. Pega sua gata, ou seu gato e vai dar um rolê juntos. Curte uma praia com ela(e), ou quem sabe um jantar, um teatro, ou cineminha e experimenta não tirar o celular do bolso. Acho que é um exercício bom para testar o fator presença na vida, não só na dela(e), mas na sua própria. Pode ser que você sinta vontade de registrar alguma situação inusitada, engraçada, divertida, mas resista e guarde apenas na sua memória.

Te garanto que não vai se arrepender. Pois quando você tiver uma briga, ou discussão sobre o fator internet, talvez, antes de acusar ou ser acusado, a lembrança desse dia que não estará registrada no celular, pode fazer uma grande diferença ao relevar certas coisas. A presença 100% na vida real pode ser a chave de reconciliação de muitos conflitos. Não há nada melhor do que estar presente na sua própria vida, e consequentemente na vida de alguém.

“Se for pra causar, cause amor”

Gil Sant’Anna

Inocência do Meyer

Numa quinta chuvosa de São Paulo, poder lembrar de momentos ensolarados em Ilha Grande é com certeza um privilégio de poucos.

A fotografia, assim como a música, tem o poder de me remeter a sensações que me fazem voltar no tempo. E que tempo bom! Eu vou crescendo, envelhecendo e me admirando com a pureza de algumas pessoas que passaram por mim e me despertaram para a observação de que o mundo pode estar um caos, mas ainda assim há uma gota de esperança de que ele está ficando cada vez melhor.

A primeira vez que vi Biah, eu estava portando meu violão e entoando canções que faziam de mim um artista importante na noite do Beira Mar Hostel, mas certo momento minha luz se fez mais baixa, quando essa pequena se colocou bem de frente para mim e no meio da roda começou a dançar enquanto eu tocava.

Rapidamente as atenções (principalmente as masculinas) se voltaram para ela e do mesmo jeito que todos estavam impressionados, eu também fiquei. Quem era essa loirinha folgada que estava tirando a minha atenção? Leonino tem dessas! Seus movimentos tinham um ar sedutor e pareciam vir da Black Music.

A noite passou e deu tudo certo. O show foi maravilhoso e o dia seguinte aguardava um passeio de barco onde eu exerceria meus dotes amadores de fotografia. Quem estava lá no barco? Sim, a garotinha de 15 anos que descobri que tinha 19. E ela estava bem na dela, sozinha. Enquanto todos dançavam aquele funk chato, ela tinha um livro em suas mãos que remetia a reflexões de certa forma feministas. Pelo menos foi o que lembrei agora quando li por cima a sinopse. Foi então que virei fã.

O mundo está mudando. Ela ali sozinha, numa boa, me fez aproximar e querer saber mais sobre sua pessoa. E fiquei feliz quando ela disse que não se sentia bem ouvindo aquelas músicas que diziam suas groselhas rebaixando as mulheres só pra fazer os humanos dançarem. Já não me sentia mais tão só.

Tirei uns clicks dela e fui convidado para um improvisado futebol em roda na areia, numa das paradas do barco. Detalhe, a bola era dela! Agora além de fã virei seguidor, essa gatinha danada dançava bem, não curtia funk e ainda jogava um fute! E detalhe: ela era carioca! Olha só minha terra natal me trazendo surpresas. Que pena que em relação a ela eu já estava na fase do “Tiozão da Sukita”. Mas para mim ela já tinha se tornado a “Garota de Ipanema”, ou melhor, do Meyer.

Então eu fiz o meu papel. “Tira uma foto minha ali com a sua câmera e me manda depois?” E lá ia o tio fazer a alegria daquela criança feliz que transmitia a inocência que falta no mundo.

“Se for pra causar, cause amor”

Gil Sant’Anna